Rodrigo Savazoni

Jornalista, escritor e realizador multimídia

As novas tecnologias, os movimentos em rede e o rio da história

No Festival CulturaDigital.Br (www.culturadigital.org.br), fizemos um debate sobre redes, ocupações e revoluções. Gil esteve lá e fez uma fala. Eu transcrevi dois trechos, para que a gente siga pensando. Se quiser ver a fala toda, entre neste vídeo e adiante até o minuto 45, mais ou menos. As imagens são do excelente Buraco Cavernoso, da galera do Mate com Angu, de Nova Iguaçu.

“O rio da história arrasta tudo. Arrasta muita coisa. Quando a gente pensa nas assimetrias, nas desigualdades, nas injustiças, nas subordinações de uns e outros, de sub-classes por classes, de sub-homens por super-homens, o que permanece como tarefa é a continuação do interesse pela luta, pelas formas possíveis de confrontação desse aluvião trazido por esse rio. Apesar das novas ofertas aparentemente libertadoras que as novas tecnologias representam, não se elimina a necessidade da vigília, da vigilância, da disposição para lutar, para tentar, continuamente, obter, senão o desaparecimento, mas a atenuação dessas desigualdades. Precisamos nadar contra esse rio da história, que traz tanta coisa desnecessária, indesejada.”

“Eu sem dúvida festejo e celebro o abraço afetuoso que as novas gerações fazem a essas novas possibilidades, o abraço maravilhoso que a gente dá no computador, no ciberespaço, no mundo digital. Mas fica claro, fica claro, e deve ficar cada vez mais claro que isso não passa de mais uma ferramenta, de mais um instrumento, de mais uma oportunidade para que a gente continue enfrentando as grandes dificuldades e os grandes problemas postos pelo rio da história. Não é brincadeira, não é fácil. Eu estava me lembrando de 40 anos atrás, nós jovens reunidos aqui, logo ali (a frase de Gil foi proferida no MAM, do Rio de Janeiro), em frente ao Teatro Municipal, enfrentando mais uma vez o Dragão da História. É sempre assim. Não dá para aliviar. Não dá para dizer: finalmente uma totalização agora é possível. Não é assim.”

5 Comments

  1. Maris Stella

    Pessoal, cheguei até aqui por um desses acasos deste informar… E gostei de ter chegado a este porto em ebulição. Muito bom este blog, a fluência de assuntos, a capacidade de expressão de alguns assuntos e temas. Virei mais vezes. Vida longa aos 300.

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  2. Carlos Henrique Machado

    Perfeito!
    Certa vez, eu ainda garoto, conversando com Eugênio Martins, um dos grandes flautistas brasileiros, comparava o meu instrumento, o bandolim, com a flauta. Eu disse a ele, a flauta tem muitas chaves, é muito complicada… Ele, espirituoso, respondeu… Chaves são feitas para abrir e não fechar portas, para facilitar a circulação do ar das notas, mas, sobretudo dos nossos sentimentos.

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