Rodrigo Savazoni

Jornalista, escritor e realizador multimídia

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Sonho de um dia de trabalho, poema de Manuel Esnaola

Manuel Esnaola, de Córdoba, Argentina, do livro nada fuera de lo común Acaba que todos riem na ilha de trabalho e eu meio desconcertado lhes digo de que estão rindo? da outra ponta do corredor aparece o chefe se joga no chão desmembrando-se também de tanto rir segura a pança como se lhe tivessem dado… Continuar leitura

Novembro, poema de Piedad Bonnett

Novembro (Piedad Bonnett) E chegaram as chuvas de novembro. E com as chuvas as glicínias lilases floresceram em meu quintal, e pontuais, dourados e zombeteiros, vieram bater em meus vidros os besouros. Em novembro, seu nome, de repente, foi o nome dos dias, e a umidade do ar meu desejo e tua língua um recente… Continuar leitura

RUÍNAS E CONCHAS

Santos, 2016 Persigo minha poesia por uma faixa de areia cada dia mais estreita. – culpa das dragas, ela diz. As dragas comem areia, modorram ondas, entopem os canais de Saturno. – temos o porto, ela diz. Persigo minha poesia em muretas rompidas daquela orla boca banguela. – só ressaca, ela diz. O mar cospe… Continuar leitura

CÚMPLICES VARIATIONS

I De braços dados caminha o casal enamorado do real sentido da existência II Caminha o casal enamorado de braços dados com o real sentido da existência III O real sentido da existência caminha de braços dados ao casal enamorado IV Enamorado do real sentido da existência o casal caminha de braços dados

PAÇOQUINHA

(São Paulo, 2014) para Aloisio Milani Brasil… Mastigado na gostosura quente do amendoim… Falado numa língua curumim De palavras incertas num remeleixo melado melancólico… (Mário de Andrade) Mezzo beat Mezzo jeca Meu negócio é piquenique Toalha de chita quadriculada grama verde compota de goiaba suco de maçã bolo de cenoura pão com presunto paçoquinha. Mezzo… Continuar leitura

CURSIVO

Um poema em letra cursiva, escrito em papel almaço, é obra da minha menina, poema que eu mesmo faço, por não usar métrica ou calça comprida, uma só rima, parece um polígono sem régua ou um círculo sem compasso: um poema em letra cursiva solto no tempo e no espaço.

CAÇADOR DE COBRA

Santos, 2015 Ave de rapina em guerra – gavião, águia, falcão – a caçar presas em sobrevoos tétricos lambuzar-se de sangue no bico na língua na veia até não restar mais cobras nas tocas, nem sobre a face da terra.

LEÃO

“Quanto maior o nosso deserto, mais devemos rugir, e essa fúria é o amor” (James Hillman) I O leão tem coração verde e sangue rosa por isso atravessa o deserto sem medo. Eu sou um leão de coração verde e sangue rosa por isso também não temo o deserto nem mesmo este criado por nós…. Continuar leitura

CARNAVAL

(Tiradentes, 2015) Para Celso e Marília Um trombone uma tuba um fagote um pistom, a cabeleira do Zezé, a peruca do vovô, o Abre Alas da Chiquinha. Pierrô bêbado chora a saudade da Colombina que não conseguiu tomar a última maria fumaça vinda de São João del Rey. Castiçais de estanho, taças de cristal e… Continuar leitura

LEVEZA

(Santos, 2014) para Sérgio Cohn Poema cavalga uma ribanceira até encontrar leveza. Depois que encontra flutua vira pluma: espuma densa sobre curso d’água. E o rio não para.