Rodrigo Savazoni

Jornalista, escritor e realizador multimídia

A voz dos poucos e barulhentos ou: a emergência das redes culturais

O jornalista Leonardo Brant, do site Cultura e Mercado, escreveu um texto hoje em defesa da Ministra da Cultura Ana de Hollanda. Brant, que vem mantendo estreita colaboração com a coordenação do atual ministério, inclusive se prontificando a intermediar o diálogo dos gestores da pasta com os movimentos de cultura digital, afirma que a ação nas redes sociais e na imprensa contra as medidas tomadas por Ana de Hollanda é resultado de um esforço orquestrado por poucos e barulhentos atores que apoiavam a gestão de Gilberto Gil e Juca Ferreira.

Não é verdade. Temos debatido as posições do Ministério de Ana de Hollanda, Vitor Ortiz e Antonio Grassi – a trinca de gestores que comanda a pasta – a partir dos fatos que eles mesmos geraram, das indicações eloqüentes que têm sido dadas. Não porque tenhamos quaisquer compromissos com este ou aquele grupo, mas porque somos favoráveis à continuidade das vitoriosas políticas culturais do governo Lula. Não por meio de uma central de boatos e falsos argumentos contra o Ministério, mas sim do debate público.

Portanto, é preciso dizer, a leitura de Brant não tem lastro na realidade e reduz uma ação legítima a um mero jogo subterrâneo de poder.

É sempre bom recuperar os fatos.

Como essa história começa?

Logo que foi anunciada Ministra da Cultura, em entrevista coletiva na sede do BNDES, Ana de Hollanda demonstrou interesse em debater a questão dos direitos autorais, utilizando-se de argumentos comuns aos opositores da proposta de revisão da lei brasileira de propriedade intelectual, que havia sido objeto de consulta pública em 2010.

Uma rede espontânea de ativistas e artistas então produziu uma carta aberta, publicada na plataforma CulturaDigital.br, propondo diálogo. Isso ainda em 2010. A carta jamais foi respondida por Ana ou sua equipe.

Com quinze dias à frente do Ministério da Cultura, a ministra ordenou a retirada da licença Creative Commons do site, mesmo com pessoas próximas e de sua confiança orientando-a a não fazer isso. Nesse momento, sua equipe de secretários nem sequer tinha sido nomeada, o que ocorreu um dia depois, em meio às críticas pela decisão política arbitrária – que Ana defendeu como uma mera escolha técnica.

A partir daí, uma série de fatos ligados à questão dos direitos autorais começou vir à tona, todos eles demonstrando uma inflexão favorável aos atores contrários à reforma.

É bom lembrar que o principal argumento utilizado pelo atual Ministério foi o de que houve pouco debate nos últimos anos. Não é verdade. Nunca se debateu tanto o tema. Até por isso, o grupo que agora irá dirigir o debate sobre direitos autorais estava sendo derrotado, por inconsistentes que são suas posições, mas conseguiu se articular para coordenar o processo.

A ação contra as decisões (e não contra a pessoa) de Ana de Hollanda visam a garantir a continuidade que se consagrou vitoriosa com Dilma Roussef.

Não se pode reduzir uma política baseada em princípios a um mero movimento de deslocamento de poder. O levante que está nas ruas é reflexo de escolhas e ações da atual administração. É uma reação ao processo de desmonte das conquistas do governo Lula no campo cultural, e não uma tentativa de preservação de espaço.

É uma articulação para que os Pontos de Cultura continuem a ser o centro das políticas. Para que a ideia dos pontos não seja substituída por uma visão elitista de construção de equipamentos culturais reponsáveis por “levar cultura” a quem não tem.

Outro aspecto que me força a escrever esse texto é a percepção de que a mesma arrogância que marcou algumas das decisões recentes do Ministério da Cultura surge na leitura que Brant faz de seus opositores.

Trata-se de um velho truque: a tentativa de desqualificar o interlocutor, questionando sua condição de agente político. Esse movimento denota má intenção ou desconhecimento (1) das dinâmicas sociais recentes do país e (2) da forma como a política se organiza no contexto das redes interconectadas.

Sobre o primeiro ponto, vale dizer que nos últimos anos o complexo país em que vivemos viu emergir uma série de movimentos e redes ligados ao campo político-cultural. Parte desse crescimento foi induzido pelo do-in antropológico promovido por Gilberto Gil e sua equipe.

Durante o governo Lula, os agentes da diversidade cultural foram reconhecidos e alçados à condição de protagonistas da cultura, o que ampliou o arco das políticas públicas de cultura de forma pioneira. Também é preciso dizer que o movimento de comunicação, cercado pela escolha de Hélio Costa para dirigir a pasta, teve no MinC de Lula um importante aliado.

Esse movimento que espontaneamente age em rede tem em comum o fato de se beneficiar do avanço das novas tecnologias, filosoficamente e como instrumento de luta. Ou seja, a internet, ao permitir a livre circulação de bens culturais, (dês)organiza a economia tradicional da cultura, baseada no copyright, e redefine noções como centro-periferia, local-global, sucesso-fracasso. Também opera como fundamental instrumento de organização em rede, o que para as novas gerações aparece como alternativa estruturante de ação política – em face do ocaso dos partidos e das organizações tradicionais.

Somos muitos os reunidos nessa operação descentralizada pela continuidade das políticas de Gil e Lula: Partido da Cultura, Movimento Música para Baixar, Circuito Fora do Eixo, Festivais Independentes (Abrafin), Casas Associadas (circuito de casas de espetáculo), Pontos de Cultura, Movimento Cultura Digital, Campanha Banda Larga: um direito seu! Frente pela Reforma da Lei de Direitos Autorais, Movimento Mídia Livre, Blogueiros Progressistas, Mega Não (contra o PL Azeredo), Movimento Software Livre, entre tantos outros.

Esses organismos todos supracitados ainda não são os únicos agentes relevantes desse processo. Porque muito do que surgiu nos últimos dias é fruto do cidadão autônomo e consciente, sem organização ou militância definida, que vem fazendo valer o seu poder de mídia.

Estamos, pois bem, diante de um sistema complexo, composto por gente que agita ou produz cultura, que realiza, estuda e movimenta, dentro e fora das Universidades, dentro e fora das estruturas do mercado tradicional, dentro e fora dos partidos políticos (muita gente do Partido dos Trabalhadores tem participado dessa mobilização).

Um enxame, sem centro, sem lideres, que não começou com uma reunião nem irá terminar assim. É a própria dinâmica da vida em rede se expondo, e – por isso, só por isso – acaba por fazer barulho.

Sigamos, então, com o debate, mas sem tratar aliados históricos das causas da democratização da cultura e da comunicação, que ajudaram a construir o governo Lula e a vitória de Dilma, de forma desrespeitosa. Isto não é um convescote. São os rumos do país que estão em questão.

27 Comments

  1. Paulo Morais

    Falou e disse, meu caro. Estamos entre o apoio estatal à organização da cultura em rede (século 21) ou em indústria (século 20). A gestão Gil/Juca, era das redes. Esta, atual, parece ser da indústria. A indústria esperneava na gestão anterior, sabia que estava perdendo espaço para modelos colaborativos e participativos de negócios. Agora estamos retrocedendo. E a rede reage.

    Abraço.

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  2. Leonardo Brant

    Olá Savazoni, não responder o seu artigo lá no meu site. Sinto que devo fazer aqui, por uma questão de respeito ao seu trabalho e a este espaço, que admiro e visito com frequencia. Não é verdade que mantenho estreita colaboração com o Ministério. As portas do MinC continuam fechadas pra mim, ainda por ordem do ex-ministro Juca Ferreira, que não suportava a crítica e mandava calar com ameaças e ações administrativas. Continuo reclamando disso no MinC, só que agora tenho com quem reclamar…
    É verdade que sou amigo do Vitor Ortiz, e com ele mantenho diálogo mais ou menos constante. Conheço e sou amigo de vários outros integrantes do MinC, mais ou menos com o mesmo volume e intensidade dos integrantes da equipe de Gilberto Gil, Juca, Weffort. Conheço as pessoas que trabalham e vivem de cultura, pela longa militância e atuação profissional que tenho na área. Ou seja, não sou desta ou daquela patota.
    Venho apontando a cultura digital como foco único de resistência ao projeto do novo MinC, que deve nascer sob os escombros de uma gestão perdulária, calamitosa, que deixou o MinC em frangalhos, com uma dívida que o impede de fazer os movimentos propositivos necessários a mudar a ordem vigente. Um projeto de poder privado, de um pequeno grupo sem qualquer vínculo com a atividade cultural, que nunca atuou no difícil ofícil das artes. É só observar se tem algum integrante do MinC que volta a atuar no setor cultural, depois de um frustrado golpe de Estado (como alguns integrantes do governo Dilma chamam o #ficajuca). Mas é midiático, produz discursos e toma para si um ministério como se tudo que existisse antes dessa nova cultura descoberta (e até inventada) para dar sustentação a esse poder fosse insignificante (ser analógico, por exemplo, é com ter lepra), menos importante diante de uma revolução que não aconteceu.
    É um movimento de vários nomes, mas de uma bandeira única, que eu simpatizo, investigo (ver http://ctrl-v.net), mas também vejo de forma descofiada. São movimentos intercomunicantes, se sobrepõem uns aos outros. Eu não os desqualifico, de jeito algum, mas os vejo de isolados no casulo. A figura do enxame é perfeita, pois vai e volta junto, grudado, fala a mesma língua, usa as mesmas ferramentas. Admiro a capacidade de aglutinação e de articulação desse enxame. Apenas não os reconheço como voz dominante e sim como uma voz, uníssona e barulhenta, sobretudo no campo das redes e blogosfera. E também vejo como um grupo intolerante, que não deu tempo nem ouvidos ao novo ministério, que tem vivência, militância e propostas, sobretudo para os artistas, abandonados e maltratados nos tempos da recente burocracia satlinista que ali se instalou. E acha que tem direito de intimar a fazer a pauta do Ministério fabricando manifestos. Diálogo não se faz intimando as instâncias democráticas. Diálogo se faz conversando. Eu propus promover uma conversa sim, com algumas pessoas do núcleo pensante: Claudio Prado, Savazoni, Sergio Amadeu, Ivana Bentes. Gente que eu admiro, acompanho o trabalho, vejo grandeza, senso de propósito. Achava que merecia o diálogo, que havia um projeto a se desenhar, que tudo não passava de mal entendido, por falta de diálogo. O MinC topou, mas vocês não toparam. Disseram que eu estava propondo um encontro secreto, uma paranóia típica de quem conviveu muito tempo com Juca Ferreira. O veredito já estava dado. E a ordem era derrubar a ministra. Isso pra mim continua sendo golpe!
    A disputa é por poder, simples assim. Em todas as conversas que mantive com os novos integrantes do MinC, a cultura digital estava na agenda prioritária, até porque cabe ao MinC integrar o Plano Nacional de Banda Larga, um desafio e tanto. Sobretudo para quem pretende e se prepara para trabalhar de fato e não se sustentar no poder distribuindo dinheiro aos amigos, calando os inimigos e vivendo de um discurso demagógico, que não se reflete em atos concretos. O tal projeto de lei do direito autoral foi protocolado na Casa Civil no dia 23 de dezembro de 2010 e foi criado e alimentado sem qualquer diálogo com os profissionais que vivem do recurso do direito autoral. Ao contrário, vi inúmeras vezes o ministro colocando o artistas que vive do direito de autor como um pária, alguém que coloca seus interesses privados acima do público. Era preciso dar um sinal, uma luz, uma retomada do diálogo com toda uma gama de artistas e produtores transformados em inimigos públicos oficiais. O discurso e os atos da ministra são animadores nesse sentido. E o processo de discussão da Lei de Direito Autoral como um todo foi uma afronta ao Estado de Direito, sob o manto populista da democracia direta, que já se mostrou a maior ferramenta de manipulação produzida na era pós-ditadura. Estou preparando um artigo sobre isso e podemos discutir mais adiante.
    Não obstante todo esse discurso de “defesa”, considero as suas críticas (e de todo o movimento) muito válidas e necessárias. A retirada do CC foi inoportuna. Escrevi isso em vários textos, inclusive neste que vc rebate. Assino embaixo e tenho colocado muitas delas em textos e diálogos travados com o MinC. Mas a tentativa de golpe é inaceitável. Talvez a proximidade e convivência com a paranóia e mania de perseguição da antiga administração tenha causado danos à psiquê dos movimentos da cultura digital. Os tempos são outros. De conversa, de botequim. E mais, são tempos de colocar o trem nos eixos, pagar contas, colocar a casa em ordem. E dar força e vigor aos Pontos de Cultura, pois o que estou vendo de muito perto é o efeito oposto do que se pretendia com o programa Cultura Viva. Importantes iniciativas estão condenadas a viver inadimplentes, sem dinheiro, com redução de sua capacidade de atuação nas comunidades, justamente por erros e problemas de gestão do MinC. Quem deu um tiro nos Pontos de Cultura foi a gestão anterior. No levantamento feito pelo MinC, há Pontos que não recebem há 2 ou 3 anos. A nova administração nem foi empossada, mas já está se desdobrando para tentar salvar, manter um acordo que possa cumprir de fato, sem as falsas promessas e as negociatas do #ficajuca, o maior escândalo da história do ministério da cultura, com a conivência de integrantes de muitos dos movimentos apontados por você.
    Um abraço carinhoso, de quem muito o admira. Leonardo Brant

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  3. Jatobá

    Olá Brant, Acho que sua resposta tem muitos pontos coerentes, entretanto erro persiste desde o seu primeiro texto e que nessa resposta você segue forçando a barra talvez pra justificar seus argumentos. Para você todo o movimento de cultura digital brasileira é um movimento #ficajuca. É sensível que sua insatifsfação com a gestão anterior, de fato como todas as gestões ela teve erros e acertos, e não terminou bem. Sinceramente sou militante da cultura digital a bastante tempo e assim como eu conheço vários outros integrantes deste movimento que não fizeram campanha #ficajuca, como também não estão pedindo a cabeça da Ana de Hollanda. O que estamos preocupados é com os rumos que o MinC está tomando, eu concordo que eles não começaram a remar ainda mas vc não pode negar que eles ja apontaram os caminhos que pretendem seguir e estão aquecendo os motores. Neste sentido a Cultura Digital também está fazendo o mesmo, e ao contrário do que vc julga apesar de barulhentos não somos tão poucos assim. Muito menos estamos tão descolados da produção artistica. Muito pelo contrário. Acho que o fazer cultura industrial o fazer cultura com Jabá e ECAD geram um problema de pisiquë em alguns empresários que acham que toda cultura é mercado. A cultura digital está na base da cultura popular graças ao cultura viva. Não ainda como gostariamos, não ainda enraizado em todos os cantos do Brasil, mas graças a estes 8 anos de erros e acertos temos grandes experiências neste sentido. O pontão de cultura digital iTEIA no qual integro atua e se relaciona com diversos artistas que produzem arte e so conhecem o ECAD quando são ameaçados de multas ao tentarem se apresentar e viver da sua arte. Seu sustento vem dos shows, das oficinas, das artes que os mesmos botam na rua. Direito autoral no dos outros é refresco. E assim muitos artistas que pagam jabá tem se refrescado a custas de quem vive de fazer cultura. Esperamos que essa nova gestão esteja realmente preocupada em garantir a fruição do fazer cultural.

    Outro ponto é que você alega no seu texto que a ministra pessoalmente consultou a legislação sobre direitos autorais antes de decidir pela retirada do CC, na entrevista que ela deu recentemente ela disse q o papel dela é de ministra e a mesma nao era obrigada a ler a proposta de direito autoral que voltou da casa civil (http://www.istoedinheiro.com.br/entrevistas/50093_NAO+HA+COMO+DISTRIBUIR+CULTURA+SEM+O+DIREITO+AUTORAL).

    Você acha que os pontos de cultura não devem se posicionar sobre esses absurdos? Você falou que as críticas na gestão anterior resultavam em boicotes e ameaças, e nessa nova gestão? As críticas estão sendo refletidas pela cúpula? Ou tudo também é convenientemente reduzido a um movimento de poucos barulhentos que querem Juca de volta?

    Acho q seu discursso no final acaba mostrando que a gestão passada te traumatizou bastante, mas talvez como você confirmou acima sua posição privilegiada de diálogo com o Victor Ortiz possa estar te tranquilizando sobre o seu futuro. Como muitos pontos não tem esse canal direto de comunicação, ficamos a mercê do que sai na mídia e também no site do Minc (que nada mais é do que um blog feito em WordPress igual ao Blog do Planalto, avisa isso para seu cumpade Victor). Inclusive o site do Minc hj se limita a requentar noticias da industria cultural fomentada pela mídia e falar da ministra, num misto de falta de contéudo com necessidade de auto afirmação.

    Realmente os tempos são outros. Toda mundaça traz receios e esperanças. O que diferencia o sentimento são as atitudes, e ai acho que você devia tirar um pouco a raiva da gestão anterior e analisar friamente que a nova gestão não vem ajudando muito neste processo. Se a situação está se complicando pra eles com a cultura digital tem muito mais haver com erros de ação do que com mov #ficajuca que foi feito por alguns poucos e barulhentos que integram essa teia da cultura digital que cresce todos os dias.

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  4. Adolfo Maia Aquino

    repito o comentário que registrei no cultura e mercado:

    Não sou dos que pedem a cabeça de Ana de Hollanda, não é o que me preocupa. O que sinceramente me deixa preocupado é que nem a secretária Cláudia Leitão e nem Márcia Porto – citadas no texto – foram nomeadas oficialmente.

    Ao mesmo tempo, a equipe que assumiu o MinC fica na defensiva por que não deixa claro o que continua e o que muda. Entendo muito bem a realidade econômica complexa, mas o Estado continua e o ministério tem de apresentar o que pode e não pode fazer. Mais do que isso têm de ter uma pauta propositiva que eu sinceramente desconheço.

    Além disso têm de apontar um horizonte. Com todas as trombadas e trapalhadas, a proposta do Do-In cultural de Gil aconteceu, assim como o crescimento orçamentário.

    Também me preocupa sobre maneira que antes de demiti o senhor Marcos Souza da Diretorai de Direitos Intelectuais, nem a ministra, nem o seu secretário executivo e nem o poderoso chefe da Funarte nunca se deram ao trabalho de responder às tentativas de contato da diretoria. Anote-se uma diretoria única e exclusivamente formada por funcionários de carreira – gestores públicos e funcionários do próprio MinC.

    Além de desprezar uma pauta que desconhece – a própria ministra admitiu que ainda não havia lido a proposta de reforma da LDA –, ela não dialoga com funcionários de carreira do Estado brasileiro. Uma equipe que, apesar de seguir uma pauta, não trabalha para esse ou aquele ministro, trabalha para o Estado brasileiro.

    Essa falta de respeito é reforçada por que ao retirar o selo do Creative Commons do site, a equipe se prontificoua diaogar com a ministra e sua equipe para encontrar uma solução ao caso, mas não receberam resposta alguma. Não é membro de partido e nem um grupo minoritário da internet – como gosta de dizer o autor do texto acima – são funcionários do estado brasileiro que continuarão funcionários brasileiro com ou sem Ana de Hollanda e companhia no ministério.

    Esse desrespeito com a equipe é só uma parte. Casos de secretários que já dão entrevistas sem nunca terem conversado com as equipes – de carreira – que tocam ou tocavam os orçamentos pululam. A arrogância beira o inexplicável.

    Mas exste ainda, por incrível que pareça, uma questão mais preocupante ainda. Consequênca do que acabo de dizer, mas vai mais fundo no risco. A nova equipe não tem projeto, não apresenta nada e se recusa a descobrir o que vai além do orçamento.

    A nova ministra tem de apontar esse novo horizonte e continuar lutando por ampliação orçamentária. A exclusão cultural e educacional continua sendo um abismo. Talvez o mais complexo de se superar. É tarefa urgente do ministério contornar isso.

    Se não há orçamento, que isso seja superado com esforço de agendas legislativas como o PNC, Vale Cultura e Procultura. Se há controvérsias que se tente aprovar o que é consenso.

    Mais do que qualquer coisa, quem trabalha no e se interessa pelo setor cultural brasileiro quer respostas e um horizonte de atuação. O ministério para sair da crise precisa procurar o diálogo com a equipe de profissionais de carreira que existem lá e com os atores desse setor – que, ainda bem, se organizaram e cresceram.

    Os tais “amadores” que Luiz Carlos Barreto trata com desprezo em suas mensagens à ministra são agora protagonistas da cultura brasileira e quem não se dispuser a dialogar com eles, está virando de costas para boa parte dos agentes do setor cultural brasileiro.

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  5. Rodrigo Savazoni

    Léo,

    Obrigado por fazer o comentário neste espaço. Mas podemos seguir aqui e no Cultura e Mercado, dialogando abertamente na frente do público que acessa estes dois ambientes (provavelmente distinto). Sobre a conversa com o Vítor Ortiz, nós estamos organizando-a. Jamais fomos contrários. O Everton Rodrigues, do MPB, e também quadro do PT, fez a articulação e esse papo deve ocorrer nas próximas semanas, depois do carnaval.

    Sem dúvida, nem tudo o que foi feito estava correto. Nem tudo o que se propôs deve seguir exatamente como era, mas as políticas (na sua ampla concepção), estavam apontadas para o rumo correto, na minha concepção – o que fez o Ministério da Cultura estar entre os cinco mais bem avaliados do mais bem avaliado governo da história recente do Brasil. Acho que faltou diálogo, sim. E como também o respeito, resolvi escrever o texto em resposta às suas opiniões.

    Um abraço

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  6. Rodrigo Savazoni

    Jatobá,

    Só um detalhe sobre a sua última frase: “Se a situação está se complicando pra eles com a cultura digital tem muito mais haver com erros de ação do que com mov #ficajuca que foi feito por alguns poucos e barulhentos que integram essa teia da cultura digital que cresce todos os dias.” Só para lembrar que o #ficajuca não era foi algo restrito aos atores da cultura digital. Uma busca rápida no Google irá mostrar atores, atrizes, cantores, compositores, cartunistas, dramaturgos, poetas, escritores, apoiando a continuidade de Juca Ferreira. Muitos deles, sem contato com redes ou ações de internet. Agiram conscientemente, em defesa das políticas que foram desenvolvidas (que naquele momento se manifestavam na continuidade do então ministro). Passada essa fase (da transição ministerial), a luta naturalmente passa a ser para que a nova equipe não ignore essa visão. Isso é política, legítima, feita na rua, entre pessoas que produzem cultura e arte. Faço o reparo apenas também para não deixar que essa visão parcial estabeleça-se como verdadeira. Não é.

    Abraços,

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  7. Paulo Morais

    Vou repetir aqui parte do que comentei no Cultura e Mercado.

    Está uma briga de foice entre a Cultura Digital e a Indústria Cultural, se é que podemos definir assim os dois lados que estão na disputa. Pra mim é mais do que claro que o conceito de indústria cultural é coisa atrasada e está sendo ultrapassado pelo de rede colaborativa. Para uma economia emergente, ou “país subdesenvolvido”, como dizia Glauber Rocha, não cabe o Estado voltar a política pública para a indústria, que é centralizadora, gera menos empregos, coloca a cultura na mãos de poucos e pouco competitiva, haja em vista o déficit da balança comercial de bens culturais brasileira. O apoio estatal às redes colaborativas e à cultura digital é o básico para deixar claro que o governo brasileiro enxerga mais de um palmo à frente do seu nariz.

    O grande problema que vem acirrando os ânimos vem das primeiras atitudes da ministra e da pressa em tomá-las, como no caso do Creative Commons. Com poucas horas à frente do governo, Ana de Hollanda não titubeou em tomar essas atitudes. No mais, meramente dizer que “os pontos de cultura serão prioridade” é muito fácil, até o ministro da cultura do José Serra diria isso. O que a ministra deveria fazer logo é abrir o jogo, dizer publicamente quem, quando, onde, por que e como o novo ministério vai atuar nesta gestão. Só assim vai acabar com as desconfianças, ou confirmá-las.

    Ao se confirmarem as desconfianças generalizadas em torno dos retrocessos, não estaremos tratando de golpe de estado quando alguém pedir a queda da ministra, já que o plano de governo que elegemos com Dilma vai no sentido oposto ao desses retrocessos.

    Abraços a todos.

    Responder
  8. Jatobá

    Salve Savazonni,

    Acho q no final a luta é por politicas publicas e nao por nomes, e por continuidade de rumos e nao manter ou não manter pessoas dentro do ministério. O Cultura Viva é uma política que deve ser defendida, a continuidade dela deve ser uma luta de todos. Me referi ao texto do Brant que colocava a cultura digital como uma minoria que existia para sustentar Juca de Oliveira quando nossas lutas são bem maiores. Acho importante seu comentário, porém mais uma vez devemos nos desapegar aos nomes senão acaba personalizando bandeiras que independem do gestor. A luta pra mim sempre foi pelo #ficaCulturaViva e não pelo #ficaJuca.

    []’s e axé
    Jatobá

    Responder
  9. Rodrigo Savazoni

    Jatobá,

    Está claro isso. Meu ponto era esclarecer que você, ao fazer aquela afirmação, estava amplificando um erro. Apenas isso. E, se cabe outra correção, ainda que simples, o ministro era o Juca Ferreira. Juca de Oliveira é ator 😉

    Abraços,

    Responder
  10. Leonardo Brant

    Valeu Savazoni, vc tem toda razão. Seu texto é muito importante e esclarecedor. Ajuda a balancear os discursos efusivos e exagerados, de um lado e de outro (assumo que o meu também está muito carregado). E é bom esclarecer: o movimento não ficou restrito ao Cultura Digital e nem todo mundo que apoiou a continuidade da gestão recebeu promessa de recursos, mas não podemos negar que isso aconteceu. E não foi um caso isolado. Tenho depoimentos (em off, é claro) de secretários do Juca, que relataram a pressão que ele imprimiu na equipe para lançar editais inacabados, prometer investimentos que ele sabia que não conseguiria cumprir e largar tudo para correr atrás de apoio ao movimento, inclusive prometendo parceria ($$) com o MinC. O #ficajuca foi criado e turbinado em seu próprio gabinete, com o objetivo único de manutenção de poder, apego ao cargo. Se fosse um movimento por continuidade de política ele teria um tom muito diferente e teria angariado muito mais adeptos. Isso tem nome: corrupção, da mais descarada. Quem sabia disso tudo e participou do movimento estava sendo conivente com essa corrupção. E se havia conivência nisso, pode haver também em um movimento golpista contra a Ana de Hollanda. É apenas isso que gostaria de alertar.
    Limpando isso tudo, o movimento é legítimo, precisa ampliar o diálogo e agir de maneira propositiva. A eleição já acabou. Dilma está eleita e Ana de Hollanda foi escolhida por ela para avançar, seguir em frente. Isso significa ampliar o diálogo, excluir aqueles que foram alijados do governo anterior, por pura discriminação. “É momento de olhar para quem está criando”, diz a Ministra. Não posso deixar de concordar com ela.
    Como disse anteriormente, precisamos articular diretrizes para uma presença maior e de qualidade no Plano Nacional de Banda Larga, que pode mudar a cara da produção cultural no Brasil daqui pra frente. É hora de trabalhar por um projeto como esse. Só assim as arestas serão aparadas e o projeto seguirá em frente.
    Abs, LB

    Responder
  11. Jatobá

    Hehehe, Valeu a correção Savazonni, aproveito tb pra corrigir outro erro meu q nao e Victor Ortiz e sim Vitor. Estava respondendo esses mails do aeroporto embarcando de salvador pra Recife pra participar das ações dos pontos de cultura no carnaval Pernambucano. A pressa é inimiga da perfeição acho q a gestão anterior conhece mto bem esse ditado. Nas próximas contribuições espero estar com mais tempo pra revisar antes de dar os posts nos comentários.

    []’s e bom carnaval
    Jatobá

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  12. Observador

    Toda a crítica contra o Minc é tratada como conspiração pra tirar a ministra, os apoiadores do ministério estão parecendo o Kadaf. O fato é que as ações da Ana desagradaram os defensores da cultura digital.

    Ela deixa claro que a agenda do Minc será defender o ECAD e outros grupos retrógados que tem interesse na manuntenção das leis do direito autoral como está ou até piora-la. Tomam decisões unilaterais sem o menor interesse de dialogar, o barulho na rede é mais do que justificado.

    Do jeito que estão as coisas não duvido que o pessoal do ministério da cultura passe a defender prisão perpétua para universitários que xerocam livros.

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  13. liberdade

    excelente resposta do Brant! não tenho o que acrescentar.
    meu conselho para velha guarda é: procure outra coisa pra fazer e se a disputa é por cargo político, em 2012 tem eleição, pq não?

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  14. Shrek5

    Queridos,
    queria fazer um comentário sobre as argumentações que o Brant faz, com referências ao Fica Juca e às questões de gestão. Uma argumenteção, aliás, alimentada de dentro do “novo MinC Velho” e que, por vezes, chega à chantagem ou até pior.
    Essa argumentação, além de esconder o vazio do discurso é bastante irresponséval, politicamente.
    Continuar nessa, significa introduzir e generalizar esses temas não apenas no MinC mas no Governo em geral., falando até em corrupção.
    O Brant brinca com o fogo, ou quer mesmo a responsabilidade de pautar o debate nesse tom, dando respaldo “interno” a argumentações que sempre foram do PIG.

    Então pergunto:
    – O “Novo MInc Velho” quer mesmo pautar o debate nesse sentido?
    – O Governo Dilma está realmente interessado a esse tipo de debate político sobre “desmandos de gestão”??

    Ate +

    Shrek 5 (o filme que o Barretão ainda não produziu)

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  15. sergio josé dias

    Ana de Hollanda, defensora da Idade das Trevas e contra o novo Iluminismo
    O Pelenegra dentro de sua política de apoio à toda atitude em defesa da cultura livre e da inteligência coletiva vem ampliar as vozes de muitos que, em uníssono reclamam da atual administração do Minc, Ana de Hollanda e os demais. Podemos dizer que fomos enganados. Se Serra tivesse sido eleito, tudo bem, sabíamos que era inevitável, o leite estaria derramado irremediavelmente, o respeito ao indefensável copyright seria um fato consumado, concretizado pela aprovação do projeto do senador mensalista Eduardo Azeredo, paralisado no Congresso Nacional, pelas 161.228 assinaturas de uma petição online e por uma intensa mobilização da sociedade civil, entretanto, apostamos em Dilma e no PT, achávamos que tínhamos vencido, afinal a política empreendida por Gilberto Gil, enquanto ministro nos apontava um caminho muito díspare do atual.

    Focada em outros objetivos, Gil e seu substituto Juca Ferreira trilhavam uma trajetória, que tinha como base a democratização da cultura, tendo nos Pontos de Cultura seu ponto fulcral e elegendo a diversidade cultural brasileira em seus diferentes rincões como o elemento a ser incentivado. Via-se com clareza a opção pela cultura popular, sem sobressaltos ou indefinições. Chegamos a ver o ministro Gilberto Gil defender a “Peerarquia”, a cultura do P2P, em seus aspectos anárquicos e reestruturadores da economia da produção cultural.

    Quando pensávamos que veríamos o aprofundamento desta política vemo-nos tripudiados, apanhados pelas costas, em uma ação covarde e demolidora. Nossos braços estão caídos desmobilizados, o amigo é, na verdade, inimigo, faz valer seu suporte à RIIA e ao Ecad, e a quem mais vier em solidariedade aos direitos de propriedade intelectual.

    Mas a blogosfera se movimenta, de braços levantados, aguerridos, em sinal de combate. Que saibam os defensores da Idade das Trevas. Vivemos um novo Iluminismo, temos as novas tecnologias ao nosso lado, e um exército de jovens antenados e ansiosos por acessar e baixar, a maior parte deles, muito pobres, e que só assim têm a possibilidade de conhecer a magnitude da criatividade humana, em todas as suas dimensões. A cultura livre pode tirá-los do gueto e da violência, inoculando-os com a sensação de que a vida é muito mais do que parece ser em seu natural habitat, e por um punhado de dólares podemos ver esta esperança ser destruída, destroçada, e logo por quem, pelo PT. Nunca poderíamos imaginar, ao lado de gente como Rupert Murdoch. É o fim da picada!
    http://pelenegra.blogspot.com/2011/03/ana-de-hollanda-defensora-da-idade-das.html

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  16. Leonardo Brant

    Querido Savazoni e leitores deste blog. Quero responder pelos meus erros sem envolver a atual gestão de Dilma Rousseff, que merece o crédito da sociedade brasileira. Quem pautou o debate dessa forma fui eu, não o MinC. O governo é de continuidade. Não há espírito revanchista, pelo que eu puder perceber. O momento não é de promover rixas e desentendimentos. É de conexão, discussão de políticas. Estou disposto a alterar esta rota e promover um debate limpo, aberto, propositivo. Escrevi um novo texto apontando os meus erros e tentando redirecionar nesta direção. Ainda é tempo de recomeçar: http://www.culturaemercado.com.br/conversacao/cansei-de-provocar/
    Abs, Leonardo

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  17. SOU EU de novo

    O discurso do Brant quer promover o impossível: chegar á um denominador comum burguesia e sociedade, ou burguesia e proletariado, ou imperialismo e liberdades individuais pelo mundo. São díspares, inimigos mortais. Enquanto a burguesia quer mais controle e mais lucro a sociedade quer mais liberdade e acesso. Enquanto a burguesia quer mais criminalização, leis, direitos, punição, polícia, tribunais, a sociedade quer menos ou nada disso tudo citado. Não tem como conciliar burguesia com proletariado. Os pontos em comum ? poucos. Como discutir uma lei de direito autoral com uma representante da burguesia e do imperialismo na direção disso ? Pois ela penderá SEMPRe para um lado. Suas proposições finais serão SEMPRE para um lado. Escutará “mais” SEMPRE um lado.

    Ess tática de diminuição dos reclamantes tem endereço óbvio: o palácio do planalto. Dilma ou seus assessores terem acesso á estas materias diminuindo os manifestantes em número para acalmá-la, se for o caso. E assim ela não os satisfazer e retirar Ana de Hollanda de um cargo que NUNCA deveria ter colocado.

    Essa tática de “vamos conversar e construir juntos”… construir O QUE ? O QUE SOMENTE a burguesia autoral e os EUA querem ? Isso não seria construção mutua, seria apenas trabalhar para eles e construir o que ELES já delimitaram e já é público, que é a criminalização de tudo e um super direito autoral. O QUE se pode construir de útil para a sociedade nessa administração ? Quando se fala “vamos construir juntos” é uma maneira de desviar o foco das conquistas e objetivos da sociedade e de acalmar os ânimos, enganar, para assim ter uma administração tranquila e conseguir aprovar as barbaridades anti-povo (sob a batuta do sempre presente EUA) como se quer.

    Não se deve perguntar á Ana o que ela fará. O que fará ESTÁ CLARO! LÍMPIDO. Com o ECAD por perto, a secretaria da criação economica (ou algo assim) e com instituições hiper retrógradas do direito autoral do grande-irmão norte-americano elogiando JÁ SABE o que ela fará. A QUEM deva se perguntar é a icógnita, á DILMA! “Sra Dilma, o que está acontecendo ? A sra. mudou de opinião e nos ENGANOU ? E aquele discurso do Campus Party, pela flexibilização do direito autoral ? E o continuísmo e as conquistas do governo Lula que a sra. prometeu continuar ?”. Á Ana, ela não me engana (ih, rimou! não precisam me PAGAR direitos autorais não!). Quero saber da DILMA! Ana é peão apenas. Quero saber da RAINHA O QUE SE PASSA! Dilma, a sr.a que nos deve uma EXPLICAÇÃO! Não a Ana. Quem é Ana ?

    Sobre “disputa de cargos”, acho a retórica mais estúpida possível. Pode ser que se aplique á 1 ou 2, mas não ás MILHARES DE PESSOAS que VOTARAM NA DILMA, P. DA VIDA! E preocupadas. Essas não disputam cargos. De novo, essa resposta de “disputam cargos” é de novo endereçado ao Planalto, pra esvaziar o discurso da oposição, pra chegar nos ouvidos da Dilma e ela dizer “já sabia! Não dou importancia por isso! já conheço esse jogo por cargos!”. Não é. Isso é RIDÍCULO. Querem diminuir algo TÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO IMPORTANTE á disputa de cargos de 1 ou 2….

    A coisa é SIMPLES: estamos falando da Acta e de processarem milhares de pessoas, milhões até. De vigiarem os internautas e tocarem um terror nazista pra proteger o super direito autoral, mais importante que os direitos humanos, abaixo apenas de Deus.

    Sobre artistas, os internautas defendem apenas o razoável, acredito que a maioria NÃO DEFENDE MARAJÁS! Se artistas se julgam no direito de receberem, por decadas, sem trabalhar, sem produzir, ACHO QUE TODOS NA SOCIEDADE DEVERIAM RECEBER SEM TRABALHAR TB. Cultura não é direito do artista nem direito de produtor ou multinacional. Cultura é algo complexo, que envole tb o consumidor, consumo. Promover a cultura é promover o acesso, o consumo, a popularização do consumo. Promover PRIVILÉGIOS de rincões não caberia ao Minc, mas á outros ministérios ligados á economia.

    Quem está por trás disso são as associações de direitos autorais, norte-americanas, que não respeitam a soberania de ng, e acham que as pessoas são seu gado particular e deve lhes obedecer.

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  18. Shrek5

    Essa balela da disputa de “cargos” e dos problemas de gestão é a coisa mais cínica e hipócrita que já.
    Primeiro, atribuem aos outros, o comportamente deles: dessa nova equipe de “vendidos” ao s interesses da Industria Cultural mediocre e em falta de mamata estatal, aquela poidada pelo Brant até o ponto de por em pauta o tema da corrupção.
    Segundo, são mesmo fdp: por que não se preocupam, se for o caso de cargos e aparelhamento, de lançar um movimento para saber como funciona Casa Rui Barbosa: o que fazem os “pesquisadores” com salários do Ministério de Ciência e Tecnologia da Casa Rui???
    Enfim, por que não lançam mesmo um movimento contra o aparelhamento do governo por eles e nos lugares certos, por exemplo a PETROBRAS…
    Shrek5, o filme que o Barretão não vai produzir

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  19. Observador

    A ministra e a Dilma não saem do salto alto, é um caminho sem volta, escolheram ficar do lado do lobby americando, nossas reclamações sequer estão sendo ouvidas. A cada dia que passa a ministra mostra que veio pra defender os interesses do ECAD e das grandes gravadoras, não dá sinais de que vai recuar um centímetro, simplesmente não tem preparo para o cargo.

    Não se sustenta mais a idéia de atacar a ministra e deixar a Dilma de fora, ela sabe o que está acontecendo e Ana de Hollanda faz questão de espalhar na imprensa que tem apoio do planalto. É triste ver que a militância digital que tanto defendeu a candidatura da Dilma foi esfaqueada pela costas mas é a verdade, e está claro que não tem volta.

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  20. Professora D.Baptista

    Não sei o que está acontecendo! Mas há anos(e não são poucos) acompanho de perto a Cultura, ou falta dela, neste país. A maior parte desse tempo ela foi relegada não sei a que plano. No governo passado, como está sendo abordado, houve pela primeira vez na história (sic) uma modificação que acrescentou, transformando os métodos. Tudo é sabido. Mas não é possível que as velhas discussões prevaleçam ao novo. Não é possível que esse veículo caia na armadilha da mesmice. Acreditei que a partir do governo anterior, independente de promessas para o futuro, os ministeriáveis já tinham claras as propostas e o que estava dando certo ou não. Acreditei que os envolvidos direta ou indiretamente na Cultura já tinham aposentado seus “egos” e que a lição anterior estava pronta. Era só ler. Doce ilusão! Estamos aqui, todos, lendo absurdos, com ti-ti-tis egocentrados e participando deles. Fazer o quê? Mas a tristeza abate, subtrai,descrendecia. Talvez meu tempo esteja se esgotando, quem sabe? Será que não vou ter a chance de ver uma modificação substancial, a que não dá medo de substituições? É tempo de acordar. Se há exigência para essa forma de comunicação, o que é fato, não cabem atitudes retrogradas, absolutamente ultrapassadas. Aos que ainda teimam em insistir nesses métodos, meus pêsames.

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  21. Ivana Bentes

    O texto do Rodrigo Savazoni é importante para neutralizar essa estranha estratégia de tirar a credibilidade e criminalizar o Movimento dos Pontos de Cultura e da Cultura Digital como “opositores” de Dilma ou do MinC ou como “inadimplentes” ou como partidários de fulano ou de beltrano ou como “incapazes de se sustentar” e “sem resultados concretos”, “amadores” e tudo que estamos vendo ser vocalizado por ai.

    Não somos “opositores” do MinC nem de Dilma somos os construtores e protagonistas dessa política pública que agora defendemos de forma apaixonada: O Plano Nacional de Cultura e o Programa Cultura Viva, um dos maiores legados da era Lula e de protagonismo da cultura neste país.

    Sabemos que o buraco é + embaixo. Os problemas de gestão são um problema do Estado Brasileiro, incapaz de botar a grana na mão de quem faz cultura. O Estado brasileiro foi pensado para botar dinheiro na mão das empreiteiras, grandes corporações, produtoras estabelecidas. Não é um problema só do MinC.

    Acho importantissimo a gente deixar claro que os Pontos e Pontões de Cultura Digital ficaram mais de UM ano calados, contigenciados, sem receber o recurso ganho em EDITAL (ainda não pago, aliás!) no MinC em FIDELIDADE AO PROJETO POLITICO DE LULA E DILMA. Em respeito ao Plano Nacional de Cultura e todos os AVANÇOS alcançados Se isso viesse a tona nas eleições era um prato feito para a Mídia.

    O mov. dos Pontos de Cultura teve essa dignidade e essa maturidade. Esse texto do Leonardo Brant (a quem Savazoni responde) e outros são plantados para desqualificar e DIVIDIR o movimento dos Pontos e da Cultura Digital.

    Digo mais, acredito que esse tipo de estratégia (CRIAR SUSPEIÇAO de todos com todos) vocaliza neste momento o que alguns gostariam de fazer mas não podem fazer abertamente: jogar os Pontos, Pontões e mov Cultura Digital aos leões!

    Tirar a discussão do debate POLITICO para o debate criminal, legal, minar…

    Isso não é fazer POLITICA é usar as piores estratégias da pior Midia! Discutamos o Plano Nacional de Cultura, construido e proposto pela sociedade brasileira. Discutamos os 8 naos de avanços que precisam ser consolidados.

    Ivana Bentes

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  22. Professora D.Baptista

    Sra Ivana Bentes, há muito que esse assunto precisava ser discutido assim, de forma objetiva e esclarecedora. Há muito os tapetes precisavam ser levantados para tirar a sujeira jogada embaixo. O primeiro parágrafo enfatiza de forma brilhante o meu texto. Estamos, outra vez, no início. Espero que, desta vez, esse assunto seja discutido no mesmo nível que o seu comentário.

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  23. fabricio kc

    Óimo texto, e o Brant – importante agente no cenário cultural – se complicou até nas respostas:

    1. o melindre e o temor para que a sua posição não respingue no Governo: “Quero responder pelos meus erros sem envolver a atual gestão de Dilma Rousseff, que merece o crédito da sociedade brasileira.”.

    2. Reconhece que seu texto (no C&M) foi carregado e que escreveu novo texto corrigindo seus erros. Mas o novo texto não corrige os erros que nem sequer são apontados.

    Além do mais, Brant revela – no promeiro comentário – um ressentimento pessoal e virulento contra Juca Ferreira (e deve ter seus motivos, mas…)

    Enfim Brant, todos esperam mais de você. Menos o novo MinC – este já teve até demais para esses 5 meses.

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